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Lindemberg pede perdão por ter matado Eloá

Fonte: r7.com.br
Daia Oliver/R7 Daia Oliver/R7

Pedido foi feito em frente aos jurados no Fórum de Santo André

Lindemberg Alves começou seu interrogatório, na tarde desta quarta-feira (15), pedindo perdão pelos crimes que cometeu. O rapaz, de 25 anos, está sendo julgados por 12 crimes, entre eles o assassinato e o cárcere de sua ex-namorada Eloá Cristina Pimentel, em outubro de 2008.

- Eu queria pedir em público mais uma vez perdão para a mãe de Eloá [...] Eu vim na intenção de falar a verdade. Eu tenho uma dívida muito grande com a família de Eloá.

Veja em vídeos a cobertura do 3º dia

Na terça-feira (14), antes de a mãe de Eloá ter sido dispensada do depoimento, Lindemberg chegou a fazer um gesto para ela que seria um pedido prévio de perdão. Ana Cristina Pimentel, porém, disse que não entendeu o gesto dessa forma eque o réu queria apernas que ela  "limpasse a sua barra".  

Ao longo da primeira hora do depoimento, Lindemberg se referiu várias vezes ao cárcere das adolescentes Eloá e Nayara como o evento de cinco dias. Ele chegou a afirmar que, em nenhum momento, havia obrigado os adolescentes Iago Vilera de Oliveira, Victor Lopes Campos e Nayara Rodrigues a ficar no apartamento e que seu objetivo era apenas ter uma conversa com Eloá porque, segundo ele, Vítor teria assumido que havia "dado uns beijos nela".

O júri do caso Eloá foi retomado às 14h15 no Fórum de Santo André, no ABC paulista. Esta é a primeira vez que ele fala sobre o crime desde que foi preso, em outubro de 2008. A previsão da acusação é de que o depoimento se estenda ao longo desta tarde. 

Pela manhã, os jurados ouviram o tenente do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) 
Paulo Sérgio Squiavo. O policial falou por pouco mais de uma hora. Numa explanação minuciosa, que incluiu os métodos usados pelo Gate durante o cárcere de Eloá em 2008, Squiavo relembrou as afirmações que Lindemberg fez logo após o desfecho da tragédia em Santo André. 

- Em tom eufórico, ele gritava que havia matado [...] Havia conseguido falar algo do tipo "Estou vivo e a matei". 

Veja fotos do 3º dia de júri

Questionado sobre a forma como a Polícia Militar agiu ao invadir o apartamento de Eloá para por fim ao cárcere, Squiavo afirmou que:

- Recebi a ordem de que as negociações estavam ficando infrutíferas e de que se houvesse agressão poderia entrar. Qualquer motivo que mostrasse risco insuportável para os reféns.

O tenente contou também que os policiais tinham analisado as paredes do apartamento, conheciam a estrutura da porta e sabiam que, atrás delas, havia sido montada uma barricada por Lindemberg com os móveis do local. Segundo ele, foi por isso que foi usada uma explosão para invadir o imóvel.

Ele afirmou ainda que, no dia do desfecho do cárcere de Eloá e Nayara (em outubro de 2008), ouviu quatro tiros disparados de dentro do imóvel: um antes da explosão e três depois. Questionado sobre porque não invadiu o local logo após ouvir o primeiro disparo, Squiavo afirmou que "não tinha autorização" até então.

Julgamento

 

Após o fim do depoimento de Squiavo, o julgamento foi interrompido para o intervalo do almoço. Este terceiro dia do julgamento começou por volta das 10h50. A previsão inicial era de que o júri fosse concluído nesta quarta, mas segundo o advogado assistente de acusação José Beraldo a previsão é de que as argumentações de acusação e defesa seja feita só namanhã da quinta-feira (16)

Após a fala do réu, o julgamento entrará na fase final: quando os advogados fazem os debates. A promotoria e a defesa têm uma hora e meia cada uma para apresentar seus argumentos para os jurados. Na sequência, pode haver réplica e tréplica, sendo disponibilizada uma hora para cada etapa. 

Em seguida, os jurados se reunirão para definir se Lindemberg é culpado ou não dos crimes pelos quais é acusado: além de homicídio, ele também responde por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe contra Nayara, por outra tentativa de homicídio qualificado pela finalidade de assegurar a execução de outros crimes contra o policial militar Atos Antonio Valeriano e, ainda, por crimes de cárcere privado contra Eloá, Nayara e os adolescentes e colegas de Eloá Victor Lopes de Campos e Iago Vilera de Oliveira, e também contra Ronikson Pimentel dos Santos, irmão de Eloá. 

No final do julgamento, a juíza vai estipular a sentença do réu, caso ele seja condenado pelos jurados.

Depoimentos 
Na terça-feira, nove pessoas foram ouvidas no plenário. Os primeiros a prestar depoimento foram o irmão mais velho de Eloá, Ronikson Pimentel dos Santos, e o advogado Marco Antonio Cabello. Na sequência Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá, seria ouvida, mas a defesa a dispensou. 

Depois, o irmão mais novo de Eloá, Everton Douglas, de 17 anos, deu seu testemunho. Entre outras coisas, ele disse que sente “muita pena” do acusado por considerá-lo um monstro. 

Após um intervalo para almoço, foram ouvidos os jornalistas Rodrigo Hidalgo e Marcio Campos; os peritos Dairsse Aparecida e Helio Rodrigues; o delegado Sérgio Luitzza e o policial do Gate Adriano Geovanini.

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